quinta-feira, 18 de junho de 2009

Greve do INSS pode ter duração de 100 dias


A greve dos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), iniciada ontem, suspendeu pelo menos 1.500 atendimentos em quatro dos cinco postos de Niterói e São Gonçalo. Apenas a agência do Barreto funcionou. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Sindsprev/RJ), a paralisação é por tempo indeteminado.

A direção do Sindsprev na cidade garante que a greve vai durar enquanto o governo não se sentar à mesa com a categoria para negociar.

"Essa não é uma greve para fazer palanque e requisitar aumento de salário. Estamos lutando por direitos que acordamos com o Governo Federal em 2005 e que não foram cumpridos. É uma paralisação consistente e pode durar até cem dias. Temos a confirmação que hoje (ontem) 16 estados aderiram à greve. Aqui vamos manter a luta e a partir de amanhã (hoje) nem a agência do Barreto vai funcionar", afirmou a diretora do Sindsprev em Niterói, Maria Ivone Sapo.

Durante todo dia foi grande a procura por atendimento nas agências da cidade. Quem chegava para realizar consultas ou entregar documentos, mesmo com hora agendada, encontrava as portas fechadas e as agências vazias. Nenhum serviço funcionou durante todo o dia. Alguns pensionistas se revoltaram com a situação.

"Tenho que vir aqui todo ano para não perder meu benefício. Marquei o dia e hora por telefone e chego aqui e não posso ser atendido. É um absurdo. Se eu ficar sem receber, vou falar o que lá em casa? Como explicar que não tenho dinheiro para comprar leite para as crianças?", desabafou Severino Januário do Nascimento, de 63 anos, aposentado por invalidez.

O sindicato prometeu avaliar quais serviços seriam reabertos à população e comunicou que permitirá um atendimento emergencial nas unidades em um segundo momento da greve, mas não estabeleceu prazo. Segundo a entidade, por exemplo, quem correr risco de ficar sem o benefício poderá resolver sua situação no INSS.

O caso de Evaldo Rodrigues dos Santos, de 43, é uma das exceções que o sindicato prometeu estudar durante a greve. Evaldo ficou sem receber o benefício de maio e em abril, recebeu parcialmente. Apesar das dificuldades, ele apoia o movimento.

"Todos têm o direito de reivindicar seus direitos. Sei que a manifestação pode me prejudicar, mas entendo a situação deles. Sempre que eu precisei fui bem atendido aqui (APS do Bairro de Fátima). Eles prometeram que vão resolver o meu caso, mesmo em greve", disse o aposentado.

Segundo balanço parcial da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Previdência e Trabalho (Fenasps), 16 estados aderiram à paralisação ontem (Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe além do Distrito Federal).

Na semana passada, o Superior Tribunal de Justiça (STJ)decidiu que a paralisação é ilegal e abusiva, estabelecendo multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

Previdência garante que movimento foi 90% normal

O Ministério da Previdência divulgou boletim no início da noite informando que as agências de todo o País teriam atendido 176.505 segurados, o que corresponderia a, aproximadamente, 90% do previsto. Como alguns dados são processados durante a madrugada, a expectativa era de que o número subisse. Das 1.110 agências, 964 teriam enviado informações até as 18 horas. Em 852 unidades o atendimento foi normal; em 100, parcial (pelo menos um servidor parado); e, em 12, a paralisação foi total, segundo o boletim.

A Previdência informou que o segurado que não conseguiu ser atendido por causa da paralisação deve remarcar o atendimento na própria agência.

A assessoria do Sindsprev também divulgou boletim informando que em seu primeiro dia, a greve teria tido a adesão superior a 70% no Estado do Rio.

Segundo o sindicato, a paralisação visa forçar o governo federal a cumprir o acordo salarial da categoria e investir na recuperação da infraestrutura das agências.
Jorge Batista - Jornalista/Radialista

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